Paris, Estrasburgo e Miami: As 11 propriedades ligadas ao poderoso conselheiro presidencial do Congo-Brazzaville

Uma investigação publicada em julho de 2026 pela Finance Uncovered e pela Opening Central Africa revelou propriedades de luxo em Paris, Estrasburgo e Miami ligadas à influente família Gandzion, do Congo-Brazzaville. A investigação levanta preocupações sobre um possível esquema de corrupção relacionado a contratos petrolíferos e destaca a desigualdade de renda em um país rico…

Aviso: Este artigo é um resumo elaborado pela Opening Central Africa (OCA) de uma investigação realizada pela Finance Uncovered em parceria com a OCA. Apenas a versão original em inglês publicada pela Finance Uncovered é a versão oficial.

Uma investigação publicada em 14 de julho de 2026 pela Finance Uncovered, em parceria com a Opening Central Africa, identificou onze imóveis de alto padrão em Paris, Estrasburgo e Miami ligados a quatro membros da família Gandzion, uma das famílias mais influentes e politicamente bem relacionadas do Congo-Brazzaville.

O patriarca da família, Maxime Gandzion, é um «conselheiro especial» considerado próximo do presidente Denis Sassou Nguesso, que governa o país de forma quase ininterrupta desde 1979. Há anos lhe é atribuído um papel central no chamado «escândalo Gunvor»: segundo um relatório da organização suíça Public Eye, a trading Gunvor teria pago milhões de dólares a Gandzion para facilitar contratos petrolíferos com a empresa estatal SNPC entre 2010 e 2012. Em 2019, a Procuradoria-Geral da Suíça condenou a Gunvor a pagar cerca de 94 milhões de francos suíços por não ter impedido atos de suborno a funcionários públicos. Maxime Gandzion e seu filho, Yoann, não foram réus nesse processo e não responderam aos pedidos de comentários dos jornalistas.

Segundo a investigação, as aquisições imobiliárias da família incluem apartamentos no 8.º arrondissement de Paris, comprados por 1,9 milhão de euros por meio de uma sociedade imobiliária, uma mansão de seis quartos em Miami, adquirida em 2011 por 1,69 milhão de dólares, e várias unidades no centro de Estrasburgo, detidas por uma sociedade controlada majoritariamente por Olivia Gandzion. Os jornalistas informam que não foi possível determinar a origem dos recursos utilizados nessas compras.

Quatro dos imóveis estão ligados a Marie-No Gandzion, nomeada, em março, vice-prefeita (adjunta) de Estrasburgo. Questionada, ela preferiu não responder. A prefeita de Estrasburgo, Catherine Trautmann, declarou desconhecer completamente essas alegações e defendeu a nomeação, sublinhando que não há provas de responsabilidade pessoal da sua adjunta. Olivia Gandzion, por sua vez, negou veementemente qualquer ligação entre as aquisições imobiliárias e o caso Gunvor, afirmando não ter «nada a ver com tudo isso».

Esse contraste de fortunas ocorre num país rico em petróleo onde mais da metade dos 6,3 milhões de habitantes vive com menos de 3 dólares por dia.

➜ Leia a investigação completa (em inglês) no site da Finance Uncovered

Apenas a versão original em inglês é a oficial desta investigação.

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