A repressão aos protestos em Angola
Luanda, 31 de julho de 2025 — A Coalizão Opening Central Africa (OCA) está profundamente alarmada com os atuais distúrbios em Angola. O uso de força letal contra civis representa uma grave violação das normas internacionais de direitos humanos e deve ser imediatamente interrompido. Declaramos nosso total apoio ao povo angolano. A organização Friends of Angola (FoA), membro central da OCA, documentou como uma greve pacífica de taxistas contra um súbito aumento de 47% no preço dos combustíveis (de 200 para 300 kwanzas por litro) se transformou em uma onda de protestos nacionais após a decisão das autoridades de eliminar os subsídios ao combustível. O que começou como um clamor legítimo diante das dificuldades econômicas evoluiu para saques, vandalismo, prisões em massa em meio a uma repressão violenta das forças de segurança, e até assassinatos, com ativistas cívicos conhecidos também sendo detidos. A FoA e uma coalizão de organizações angolanas de direitos humanos alertaram que eliminar os subsídios “sem salvaguardas para os pobres” viola os direitos sociais de milhões de cidadãos, e que criminalizar o protesto público só aprofundará a crise nacional. A OCA ecoa essas preocupações: os cidadãos angolanos não devem ser punidos por expressarem sua indignação diante da fome, do desemprego e das falhas de governança.
Até o momento, relatórios oficiais confirmam que pelo menos 22 pessoas foram mortas, 197 ficaram feridas e 1.214 foram presas desde o início dos distúrbios em 28 de julho. Testemunhas relatam cenas de pneus queimados e lojas saqueadas, enquanto manifestantes enfrentavam a polícia que usava gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição real contra as multidões. Entre os detidos estão ativistas proeminentes da sociedade civil – um sinal preocupante de que o governo trata a dissidência pacífica como crime, e não como um pilar da democracia. Essa abordagem autoritária tem gerado condenações generalizadas; os bispos católicos de Angola denunciaram a violência letal e apelaram à juventude para que escolha o diálogo em vez da violência. A OCA concorda: o caminho para sair dessa crise passa pelo engajamento com a sociedade civil, não por sua repressão.
Lideranças da OCA enfatizam que tal repressão não é apenas injusta, mas também contraproducente. “O uso alarmante de força letal e prisões em massa em Angola é indefensável”, declarou Andrea Ngombet, Presidente Executivo da OCA. “Apoiamos firmemente a Friends of Angola ao pedir ao governo que mude de rumo — a sociedade civil não é inimiga do Estado. A dissidência pacífica não pode ser recebida com balas e prisões.”
A OCA insta as autoridades angolanas a:
- Libertar imediatamente todos os indivíduos detidos ilegalmente por exercerem seu direito de protestar e expressar dissidência;
- Cessar o uso de força excessiva — incluindo munição real, balas de borracha e gás lacrimogêneo — contra manifestantes desarmados;
- Engajar-se com grupos da sociedade civil, líderes comunitários e vozes da oposição em um diálogo genuíno para abordar as legítimas reivindicações que alimentam esta revolta.
Para muitos em Angola, “esta convulsão não se resume ao preço do combustível — ela reflete uma injustiça social profundamente enraizada e um contrato social rompido, alimentado pela corrupção sistêmica e pela má gestão dos recursos públicos”, afirmou Florindo Chivucute, Diretor Executivo da Friends of Angola e membro central da Opening Central Africa (OCA). “O custo de vida disparou e deixou inúmeras famílias incapazes de colocar comida na mesa, transformando a sobrevivência diária em uma luta e o protesto pacífico em um poderoso clamor por dignidade.”
A OCA se solidariza com o povo angolano e com nossos parceiros no terreno, insistindo que o respeito aos direitos humanos e o diálogo inclusivo — e não a repressão — são o único caminho sustentável para o futuro. Exortamos o governo do Presidente João Lourenço a ouvir os apelos de seus cidadãos e da sociedade civil: parem com a repressão, libertem os detidos injustamente e colaborem com a comunidade — e não contra ela — para restaurar a paz e a confiança.







