· ,

Cleptocracia hereditária no Chade: um relatório especial

Um ano após o massacre de manifestantes no Chade, o país enfrenta uma crise política e econômica. A repressão brutal, iniciada em outubro de 2022, resultou em mortes, prisões e fuga de opositores. Com a promessa de eleições não cumprida e uma cleptocracia hereditária em vigor, o futuro democrata e econômico permanece incerto.

Um ano após o massacre de manifestantes pró-democracia em outubro de 2022, o que esperar agora do Chade, de sua economia e de seu povo?

O dia 20 de outubro de 2023 marca o primeiro aniversário da repressão violenta perpetrada pelo governo de transição do Chade, que resultou na prisão arbitrária, detenção e morte de dezenas de civis.

O que começou nas ruas com o uso indiscriminado de munição real rapidamente se transformou em uma campanha direcionada contra os supostos opositores do governo de transição. Muitos críticos proeminentes do regime foram forçados a fugir do país para escapar à brutalidade da repressão.

O estopim dessa violência chocante foi a resposta das autoridades aos protestos em massa que exigiam que o governo cumprisse sua promessa pública: realizar eleições dentro de 18 meses após a morte do ex-presidente Idriss Déby Itno, ocorrida em abril de 2021, o que permitiria uma transição para um governo civil.

Um ano após o massacre, este país rico em recursos naturais, mas profundamente subdesenvolvido, continua longe de realizar eleições que realmente beneficiem sua população.

Durante as três décadas em que Idriss Déby governou o país, o Chade foi amplamente considerado uma cleptocracia.

Com a morte do presidente Déby em 2021, o país passou a ser visto por muitos observadores como uma “cleptocracia hereditária”, já que o poder foi efetivamente transferido para seu filho, Mahamat Idriss Déby Itno (conhecido popularmente como “Kaka” para diferenciá-lo do pai).

Não há cálculos verificados sobre a fortuna de Déby, mas à época de sua morte estimava-se que ele possuía pelo menos 50 milhões de dólares. O destino desse dinheiro permanece desconhecido e é uma pista importante para futuras investigações jornalísticas.

Para avaliar a situação do país um ano após o massacre, a Finance Uncovered, em parceria com o Centro de Direito de Interesse Público do Chade (PILC Chad), membro da OCA, conversou com diversos especialistas nos campos político, econômico e dos direitos civis, e analisou os últimos desenvolvimentos — especialmente no setor petrolífero.

Grandes questionamentos estão sendo feitos sobre quanto da riqueza petrolífera do país está sendo efetivamente usada para o desenvolvimento e para a gestão dos recursos públicos.

Leia nosso relatório completo aqui.

More from the blog

Discover more from OPENING CENTRAL AFRICA

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading