Um ano após o massacre de manifestantes pró-democracia em outubro de 2022, o que esperar agora do Chade, de sua economia e de seu povo?
O dia 20 de outubro de 2023 marca o primeiro aniversário da repressão violenta perpetrada pelo governo de transição do Chade, que resultou na prisão arbitrária, detenção e morte de dezenas de civis.
O que começou nas ruas com o uso indiscriminado de munição real rapidamente se transformou em uma campanha direcionada contra os supostos opositores do governo de transição. Muitos críticos proeminentes do regime foram forçados a fugir do país para escapar à brutalidade da repressão.
O estopim dessa violência chocante foi a resposta das autoridades aos protestos em massa que exigiam que o governo cumprisse sua promessa pública: realizar eleições dentro de 18 meses após a morte do ex-presidente Idriss Déby Itno, ocorrida em abril de 2021, o que permitiria uma transição para um governo civil.
Um ano após o massacre, este país rico em recursos naturais, mas profundamente subdesenvolvido, continua longe de realizar eleições que realmente beneficiem sua população.
Durante as três décadas em que Idriss Déby governou o país, o Chade foi amplamente considerado uma cleptocracia.
Com a morte do presidente Déby em 2021, o país passou a ser visto por muitos observadores como uma “cleptocracia hereditária”, já que o poder foi efetivamente transferido para seu filho, Mahamat Idriss Déby Itno (conhecido popularmente como “Kaka” para diferenciá-lo do pai).
Não há cálculos verificados sobre a fortuna de Déby, mas à época de sua morte estimava-se que ele possuía pelo menos 50 milhões de dólares. O destino desse dinheiro permanece desconhecido e é uma pista importante para futuras investigações jornalísticas.
Para avaliar a situação do país um ano após o massacre, a Finance Uncovered, em parceria com o Centro de Direito de Interesse Público do Chade (PILC Chad), membro da OCA, conversou com diversos especialistas nos campos político, econômico e dos direitos civis, e analisou os últimos desenvolvimentos — especialmente no setor petrolífero.
Grandes questionamentos estão sendo feitos sobre quanto da riqueza petrolífera do país está sendo efetivamente usada para o desenvolvimento e para a gestão dos recursos públicos.








