Angola participará da próxima cúpula entre a União Europeia (UE) e a União Africana (UA), que ocorrerá de 17 a 18 de fevereiro de 2022, no Reino da Bélgica, juntamente com os demais países membros da UA, num momento em que o Continente Berço enfrenta enormes problemas sociais causados pela pobreza e miséria que assolam suas populações.
Analistas, organizações internacionais e regionais vêm denunciando há anos a existência de políticas “falidas” por parte dos governos africanos, que são acusados de corrupção endêmica, apesar da abundância de recursos minerais que não têm sido distribuídos em benefício dos cidadãos.
Na prática, há uma tragédia no desenvolvimento humano em muitos países, incluindo Angola, cuja maioria da população, segundo dados das Nações Unidas, vive abaixo da linha da pobreza.
Para esta cúpula UE/África, Angola estará representada por uma delegação de alto nível. No entanto, analistas afirmam que, enquanto os líderes africanos viajam à cidade de Bruxelas, Bélgica, para o encontro, é necessário que os formuladores de políticas concentrem-se nas imensas riquezas que foram saqueadas dos países do chamado continente negro.
Esse é o caso de Angola, um país cujas riquezas — que deveriam servir a todos os cidadãos — foram apropriadas por um grupo restrito de pessoas ligadas ao MPLA, partido no poder desde 11 de novembro de 1975.
As riquezas desviadas dos cofres públicos ao longo dos 46 anos de governação ininterrupta do atual regime serviram para construir impérios em nome de indivíduos, deixando o país sem hospitais e escolas de qualidade, sem saneamento básico, com deficiências graves na educação e outros males estruturais.
A ostentação de riqueza contrasta fortemente com os níveis de pobreza e miséria da população, como ilustra o vídeo apresentado pelo ativista Luaty Beirão, em parceria com um consórcio do qual a Friends of Angola faz parte.
Como é possível, num país extremamente rico, ter metade da juventude desempregada? Quem se beneficia dessas riquezas, e de que forma isso retorna à comunidade? Quais as consequências dessas taxas de desemprego em Angola?
Essas são questões que têm levado, de forma recorrente, a protestos de jovens nas ruas de todo o país — com maior incidência na capital —, por se sentirem discriminados e excluídos.
Sabe-se que uma das promessas eleitorais do partido no poder desde 1975 foi a criação de 500 mil empregos. Essa meta foi de fato alcançada, mas em número negativo.
A estimativa mais recente da taxa de desemprego revela que Angola possui cerca de cinco milhões de pessoas em idade ativa sem fonte de renda, o equivalente à metade da população da República de Portugal.
Muitos cidadãos que retornaram a Angola após concluir a formação no exterior viram seus sonhos de trabalhar em sua área de formação frustrados. São centenas os que regressaram recentemente, mas permanecem desempregados devido à falta de políticas eficazes de promoção do emprego.
As queixas são de que várias portas já estão fechadas, e por isso sentem-se traídos pelas políticas fracassadas do Governo apoiado pelo MPLA — sendo que a maioria estudou no exterior com bolsas financiadas pelo Estado angolano.
A incapacidade crônica de manter na escola as crianças que escaparam da mortalidade infantil gerou adultos que, hoje, em idade laboral, não adquiriram conhecimentos nem qualificações, sendo frequentemente preteridos por expatriados — inclusive para trabalhos não qualificados. Como disse um jovem: “Aqui nós descarregamos contentores e somos pagos 1.200 kwanzas por dia, o que não dá para nada”.
A falta de vontade política para resolver os problemas básicos da população continua a ser questionada, dada a “inércia” do governo. A população clama diariamente por água potável, energia da rede pública, medicamentos nos hospitais — em resumo, a condição social das famílias tem piorado nos últimos anos.
Resolver esse tipo de problema, fruto de décadas de cleptocracia, deve ser a prioridade urgente de políticos e dirigentes que participam hoje da cúpula UE/África.








